Inteligência artificial pode acabar com 40% dos empregos em 15 anos, diz investidor chinês


Inteligência artificial pode acabar com 40% dos empregos em 15 anos, diz investidor chinês

Kai-Fu Lee, investidor e especialista em inteligência artificial (Foto: Matt Winkelmeyer/Getty Images for WIRED25)

Muita gente importante já falou sobre os perigos da inteligência artificial. No ano passado, Elon Musk, CEO da Tesla, afirmou que a inteligência artificial é “muito mais perigosa do que as armas nucleares”. Mas uma previsão mais assustadora chamou as atenções nessa semana.

O chinês Kai-Fu Lee, investidor e especialista em IA, afirmou que nos próximos 15 anos, 40% dos empregos do mundo poderão ser realizados por máquinas. “A inteligência artificial irá cada vez mais substituir os trabalhos repetitivos, não apenas o trabalho braçal, mas também o intelectual”, disse ele em entrevista à CBS. “Motoristas, por exemplo, terão seu trabalho redefinido nos próximos 15 ou 25 anos”, afirmou. Ele disse, contudo, que as máquinas nunca serão criativas ou capazes de expressar empatia - algo que dá um diferencial aos profissionais humanos. Kai-Fu Lee é autor do livro Inteligência Artificial, lançado em novembro no Brasil.

“Eu acredito que a IA vai mudar o mundo mais do que qualquer outra coisa na História da humanidade. Mais até do que a eletricidade”, afirma. E o que essa enorme substituição de empregos fará com a sociedade, pergunta o entrevistador a Lee. “Bom, de certa forma, há uma sabedoria humana que sempre supera as revoluções tecnológicas. A invenção do motor a vapor, a máquina de costura e a eletricidade também acabaram com empregos. Nós superamos isso. O desafio é que a IA deverá acabar com 40% dos empregos em 15 ou 25 anos, mais rápido do que as revoluções anteriores.” No Brasil, uma pesquisa feita pela UnB revelou que 54% dos empregos formais estão ameaçados por máquinas.

Lee é reconhecido como autoridade em IA. Ele se graduou na Columbia University, tem um PhD na Carnegie Mellon e desenvolveu o primeiro sistema independente de reconhecimento de voz. Ele trabalhou em grandes empresas de tecnologia como Apple, Microsoft e Google, e, recentemente, lançou o best-seller AI Superpowers: China, Silicon Valley and the New World Order (Os superpoderes da inteligência artificial: China, Vale do Silívio e a Nova Ordem Mundial, em tradução livre).

Atualmente, com 57 anos, ele mora em Pequim e seu foco é ajudar jovens chineses a desenvolver seus estudos e suas carreiras. A educação tem grande importância no novo cenário, diz Lee, que financiou empresas que instalam sistemas de inteligência artificial em salas de aula.

O investidor tem previsões assustadoras sobre os possíveis impactos da tecnologia na vida dos estudantes e cidadãos chineses. No país asiático, 70% da população usa smartphones regularmente. Os enormes bancos de dados criados a partir disso ajudam as empresas chinesas a desenvolver a IA. “A China claramente tem uma vantagem”, diz Lee.

Hoje, os Estados Unidos estão mais avançados na pesquisa tecnológica, mas o cenário irá mudar, e a China dividirá esse desenvolvimento nos próximos cinco anos, projeta o investidor.

Via Época Negócios