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Pesquisadores da USP criam minifígado funcional em impressora 3D

Marcos Marcos Siga-me Nov 24, 2019 · 2 mins read
Pesquisadores da USP criam minifígado funcional em impressora 3D
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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) criaram um minifígado em impressora 3D utilizando amostras de sangue de três voluntários. O objeto é capaz de exercer as mesmas funções do órgão real, incluindo a produção de proteínas, a secreção e o armazenamento de substâncias, conforme descrito no artigo publicado na revista Biofabrication.

Para a criação do fígado, os cientistas do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) combinaram diferentes técnicas de bioengenharia com bioimpressão 3D, permitindo que o tecido criado pela impressora mantivesse as funções hepáticas por mais tempo que o registrado em tentativas anteriores.

O segredo está no método de inclusão das células na biotinta, usada para formar o tecido durante a impressão, de acordo com Ernesto Goulart, um dos autores do estudo. Elas foram agrupadas mantendo a funcionalidade do órgão por maior tempo, evitando a perda progressiva do contato entre as células, um problema recorrente na bioimpressão de tecidos humanos.

A impressão do órgão demorou apenas alguns minutos, e após essa etapa ele passou por 18 dias de maturação. Todo o processo de criação do minifígado em 3D, desde a coleta do sangue até a geração do tecido funcional, durou cerca de 90 dias.

Alternativa ao transplante de órgãos

O procedimento de impressão de órgãos em 3D tem sido cada vez mais praticado em todo o mundo, podendo se tornar em breve uma alternativa ao transplante de órgãos, acabando com as longas esperas pela doação de órgãos.

Em entrevista à Agência FAPESP, a coordenadora do CEGH-CEL e coautora do artigo, Mayana Zatz, disse que ainda há um longo caminho até a produção de um órgão completo na impressora 3D, mas o caminho é muito promissor. Segundo a pesquisadora, em um futuro próximo será possível pegar a célula do próprio paciente e reprogramá-la em laboratório para a criação do órgão artificial, o que em teoria acabaria com a chance de rejeição.

Via: Agência FAPESP


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